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trevo Edson Luís de Lima Souto
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no baricentro do triângulo soberania-oikonomia-glória da máquina governamental de exceção disparam-se três tiros simultaneamente de seus vértices e queimam a roupa vermelha da memória.
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arcobotantes da abóbada historiográfica forjam a ilusão de encontro com a atmosfera onde se desfaz o corpo material do soul e do funk retroutópicos, miscibilidade entre 1968 e 2018.
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o dispositivo câmera captura o sujeito, não-sujeito, anti-sujeito jamais produzido pela perversidade do regime no igual potencial buda preto.
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através de referentes indizíveis a psique do espectador funde-se a gestos das artistas e essa linha de chegada é sempre movida para frente e para trás como qualquer experiência capaz de se inscrever rupestre no aparato.

 

bruno freitas de carvalho moreira txt max willa morais ator aline besouro fotobruno freitas de carvalho moreira txt max willa morais ator aline besouro foto

#10 EDIÇÃO/ARTES VISUAIS

 

 

Gaza é uma série de fotos em que Aline Besouro, personagem e propositora, aparece vestindo um Jilbab num cenário distinto. Trata-se da Zona Portuária do Rio de Janeiro que, em processo de revitalização, tem sua geografia revista por escombros e ruínas (como a queda do elevado da perimetral). Nas duas primeiras fotos, sem qualquer referência explícita à sua localização real, Aline forja uma zona de conflito. Sua citação à Palestina se faz através de uma indumentária típica que não se exige fiel ao original, mas se constitui no imaginário ocidental como indício do oriente (o que vem a reforçar esse imaginário é o terreno baldio, demolido, imagem já cristalizada quando se conhece Gaza através das referências da TV). Seu exercício é colocar-se no meio do que foi destruído, precisamente no intervalo de tempo entre a demolição e a “revitalização”. Temos portanto, um instante fotográfico bastante específico que ao mesmo tempo confunde e manipula a memória do lugar – dos lugares. A terceira foto, como quem desvela aos poucos o processo de pesquisa, apresenta um cenário com elementos mais próximos. É possível ver parte do elevado da perimetral e, ao fundo, o Museu de Arte do Rio, uma das primeiras obras novas da região. Há, enfim, um embate entre vários aspectos: por um lado, Aline agora está desconfigurada. Faz-se uma palestina intrusa, estrangeira deste lugar que se destrói e reconstrói (a perimetral e o museu), já não pode garantir seu lugar num cenário de edificações. Por outro lado, já não engana: desconfiamos que esteja em gaza, primeiro porque há coisas demais no seu lugar, e depois porque seu Jilbab é de uma estampa entreguista. Assim vamos percebendo que não se trata apenas de uma correlação de aparência física de índices. O exercício de limpeza e coerência vai dando lugar ao híbrido das identidades, a imagem congelada vai se contaminando progressivamente, sem que por isso precisemos perder o fundo de crítica que sugere: cidades metaforicamente intercomunicantes. A Zona Portuária em disputa de domínio, em zona de conflito que encara a fabricação de sua história através de memórias politica e afetivamente construídas. Esse exercício de desdobramento escrito faz-se ínfimo diante da graça de estabelecer tais relações diante da imagem, e é apenas um esboço de disparadores possíveis de uma pesquisa artística ainda em construção.

 

Texto de Pollyana Quintella
Ensaio-fotográfico de Aline Besouro

setembro 2014

 

https://revistausina.com/2014/09/15/gaza

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Estampa e fotografia @besouroaline  / Modelo Max Willa

Fiz essa série de fotografias com o Max para registrar essa tiragem de 30 camisetas que estampei em silk

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